Que sorte e vil degradante
Ai que saudade eu sinto em mim
Do meu viver de estudante.
Nesse fugaz tempo de Amor
Que de um rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas,
De capa ao ar cabeça ao léu
Só para amar vivia eu,
Sem me ralar e tudo mais eram cantigas.
Nenhuma delas me prendeu,
Deixa-las eu era canja,
Até ao dia que apareceu,
Essa traidora da franja!
Sempre a tinir sem um tostão
Batina a abrir por um rasgão
Botas a rir num bengalão e ar descarado,
A vadiar com outros tais
E a dançar para os arraiais
Para namorar beber, folgar cantar o fado.
Recordo agora com saudade
Os calhamaços que eu lia,
Os professores da Faculdade
E a mesa da Anatomia!
Invoco em mim recordações
Que não têm fim dessas lições
Frente ao jardim do velho campo de Santana,
Aulas que eu dava e se eu estudasse
Onde ainda estava nessa classe,
A que eu faltava sete dias por semana.
O Fado é toda a minha fé
Embala, encanta e inebria,
Pois chega a ser bonito até
Na radio-telefonia!
Quando é tocado com calor
Bem afinado e a rigor
É belo o Fado, ninguém há quem lhe resista
É a canção mais popular, tem a emoção faz-nos vibrar
E eis a razão de ser Doutor e ser Fadista!
E por falar em Anatomia...
O corpo humano me espera!
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